Calor forte e maiores custos: produtores de MT já replantaram 3,72% das lavouras de soja
- Mercado do Agronegócio

- 20 de nov. de 2023
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A onda de calor que atinge o país e que mantém as temperaturas acima dos 40º C no Mato Grosso está obrigando produtores de soja a fazerem o replantio da lavoura. Segundo Vanessa Gasch, gestora de Desenvolvimento Regional do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), essa opção já é uma realidade para aproximadamente 3,72% das plantações de soja do Estado.
“Para o produtor que opta pelo replantio, o custo é dobrado, uma vez que ele terá que aplicar novamente recursos em sementes, diesel para as máquinas agrícolas, entre outros gastos”, comenta, em entrevista à Globo Rural.

O percentual, informado pela gestora nesta sexta-feira (17/11) à reportagem, é atualizado semanalmente pelo Imea.
O replantio da soja é uma das consequências das altas temperaturas somadas ao clima seco devido à falta de chuva na região. “Esse cenário vai impactar diretamente na produtividade da soja e afetar a rentabilidade do produtor, uma vez que a atividade estará gerando menos receita”, observa Vanessa.
E o prejuízo financeiro pode ser ampliado para muitos produtores, tendo em vista que o atraso na semeadura da soja somado à perspectiva de clima seco e com poucas chuvas para os próximos meses deve afetar também o plantio do milho de segunda safra. “É provável que haja queda na área de plantio estimada de milho no Estado”, adverte a gestora.
O produtor rural Alexandre Volpato Gasparello comenta que este é um ano bem atípico em relação às safras passadas. “Este ano pegou a gente de surpresa, com um índice pluviométrico muito abaixo do que a gente vinha tendo nos últimos anos”, frisa.
A declaração de Gasparello faz parte de um vídeo publicado nesta sexta-feira pela Aprosoja Mato Grosso, no canal da entidade no YouTube. O produtor mostra que em uma área apontada para replantio foi necessário perfurar 30 cm do solo para se chegar a uma temperatura de 33º C.
“Nossa média da safra anterior foi de 69 sacas [por hectare] e, para este ano, a gente projeta no máximo 60 sacas”, acredita. “Mas o lucro vai ser bem abaixo disso, devido ao replantio, aos gastos que a gente teve”, completa.
A Aprosoja Mato Grosso está realizando uma expedição pelo estado a fim de mostrar a situação atual das lavouras de soja. No vídeo, Fernando Ferri, coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja MT, destaca que em algumas microrregiões tem chovido, mas a maioria do Estado está seco, passando por uma grande estiagem.
Entre os impactos encontrados pela equipe da entidade estão solo extremamente seco, plantas mortas ou subdesenvolvidas para o período, além de plantas registrando problemas com herbicidas. Atraso na semeadura da soja e previsão de redução de aproximadamente 30% da safrinha de milho, bem como preocupação com doenças como a ferrugem asiática devido ao plantio mais tardio, também são apontados pelos produtores.
“Tem muitas áreas que vão fazer o replantio e tem áreas que vão partir direto para outra cultura, com milho ou algodão safra verão”, comenta Ferri. E acrescenta que a economia do Estado deve ter uma quebra grande devido ao dinheiro que deixará de circular, assim como perdas para o Brasil, devido aos dividendos da balança de exportação. [...]
Fonte: GloboRural




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